BOLA DE TRAPOS - O cronista Miguel Carvalho escreve em O JOGO sobre o estado do futebol em Portugal no que diz respeito aos seus formatos de gestão, com destaque para a dos clubes e sociedades desportivas.
Há uns anos, mergulhei a fundo na versão reles e maltrapilha do futebol nacional. Deparei-me com patifarias, indignidades e misérias que, até ali, só conhecia de outras áreas do tecido empresarial e laboral.
Por essa altura, já o Campomaiorense desaparecera do mapa desportivo depois de torrar milhões da marca de café que o sustentava. Mortos-vivos, Alverca, Salgueiros, Felgueiras, Ovarense enfrentavam funerais anunciados ou preparavam-se para vegetar por aí, pelados ou de casa às costas. Equipas históricas fechavam portas a cadeado e podia até fazer-se uma pirâmide humana de atletas com salários em atraso. O desemprego espreitava, enquanto os clubes iam de caixão à cova. Dado curioso: os responsáveis pela tragédia raramente eram vistos no cortejo fúnebre.