Premium "O adepto precisa do erro e de inimigos, reais ou imaginários"
BOLA DE TRAPOS - O cronista Miguel Carvalho expressou, nas páginas de O JOGO, a sua opinião sobre o VAR e as incidências dos últimos dias.
Desconfiado e cético, estive entre os temerosos da aplicação do VAR ao futebol e do que isso lhe traria em termos de higienização. Digo bem: higienização. Nos piores pesadelos, imaginei que a tecnologia ao serviço do escrutínio milimétrico de cada lance duvidoso iria transformar o jogo em tudo aquilo que ele não é - uma ciência certa - e civilizar os grunhos, esses seres grotescos que habitam qualquer discussão sobre o clube do coração como se estivesse em causa o futuro da humanidade.
Já febril, talvez até a caminho da alucinação, assaltaram-me "trailers" de um futuro apocalíptico - em "streaming", claro - onde adeptos de clubes rivais iam abraçados para os estádios e, fosse qual fosse o resultado, acabariam à mesa, em versão diplomática, a partilhar bifanas, cervejas e incidências de tempos idos: "Lembras-te daquele fora de jogo de 2004 na Luz? E o penálti por marcar em 2005 no Dragão? Insultei-te do pior e, por pouco, não andámos ao soco. Bons tempos, esses!"
